Bacias hidrográficas

Bacias hidrográficas
  • Bacia hidrográfica corresponde à área drenada por um rio principal, seus afluentes e subafluentes, que formam, dessa maneira, uma rede hidrográfica,ou seja, uma área da superfície terrestre que alimenta uma rede de rios.
       Os limites entre as bacias hidrográficas encontram-se nas partes mais altas do relevo e são  denominados  divisores  de  água, pois separam as águas de bacias. O declive entre o divisor de água e o rio principal, por onde  correm  as  águas  dos afluentes, chama-se vertente. As águas são depositadas no  leito  do rio  que,  em  época  de  cheia,  pode  transbordar,  que constituem a sua várzea.

                                                               

        Divisores de Água.

       As entradas de água da bacia hidrográfica são as chuvas e  o  afloramento  de  água  subterrânea. As  saídas  ocorrem  pela evaporação, pela transpiração das plantas e  dos animais, bem  como pelo  escoamento das  águas  superficiais (rios e córregos) e subterrâneas. Algumas  bacias  são  transfronteiriças  e  compartilhadas, como  a  Bacia  do Rio  Amazonas, que abrange sete países.
       O Brasil dispõe de uma das mais densas redes hidrográficas da Terra, que representam cerca de  14%  das  reservas mundiais de água doce. No entanto, o abastecimento das regiões mais desenvolvidas economicamente e mais populosas muitas vezes fica comprometido, pois é cada vez maior o consumo de água e de energia elétrica.
       No período de estiagem, o fornecimento de água é  limitado.
       Os principais dispersores de água das maiores bacias brasileiras estão situados:
  • na Cordilheira dos Andes, onde nascem os formadores do rio Amazonas;
  • no Planalto e na chapada dos Parecis, que separam a bacia Amazônica de rios da bacia Platina (rio Paraguai);
  • nos Planaltos Norte-amazônicos, origem dos rios da margem esquerda do rio Amazonas;
  • nos Planaltos e nas serras do Atlântico-Leste-Sudeste, onde nascem o rio São Francisco, os rios formadores do Paraná (Paranaíba e Grande);
  • nos Planaltos e nas serras de Goiás-Minas e nos Planaltos e nas chapadas da Bacia do Parnaíba, que são divisores de água das bacias do Tocantins e São Francisco.
As principais bacias brasileiras

 

  • A bacia Amazônica: é considerada a maior bacia hidrográfica do mundo, drena uma área superior à metade do território brasileiro (6,5 milhões de km2) e abrange áreas de outros seis países sul-americanos. De toda a  água  dos  rios  lançada nos oceanos, 20% desembocam da foz  do rio Amazonas.
            Características: rio largo, com  grande  volume  de água, de  planície  (atravessa  uma  área  plana  e pouco  profunda).  A navegação fluvial é o principal meio de transporte da região, sendo também meio essencial de vida para a população ribeirinha e diversos povos indígenas. O seu bioma é a Floresta Amazônica, que têm a maior fauna fluvial do mundo. Apresenta o maior potencial para geração de energia hidrelétrica do país, mas a produção é baixa pela distância dos grandes centros.
            Principais rios: Amazonas, Purus, Madeira, Tapajós, Xingu, Negro, Trombetas.
  • A  bacia do Tocantins-Araguaia: A sua maior extensão drena terrenos  elevados. Nela está situada a maior hidrelétrica brasileira -  Tucuruí - no rio Tocantins, no Pará. Essa usina é  fundamental na implantação  dos  grandes projetos minerais, no estado, devido  ao alto  consumo de energia das eletrointensivas ( ver 'eletrointensivo'), que consomem mais de 60% da hidreletricidade gerada por Tucuruí.
             O Grande Carajás, projeto mineral no Pará, e grandes indústrias de alumínio como  a Alcoa; a Albras (Alumínio Brasileiro S/A), pertencente à Companhia Vale; e a Nippon, entre outros grupos estrangeiros e nacionais, são  facorecidos  pelos  vultosos investimentos do governo brasileiro, na construção da usina, no final dos anos de 1970 e início dos anos de 1980.
              O bioma dessa bacia é a Floresta Amazônica (norte e noroeste) e a transição para o Cerrado (grande parte da região). Seus principais rios são: Tocantins, Araguaia, Paraná, Rio das Mortes.
  • A bacia do São Francisco: É alongada e situa-se quase totalmente  em  área de  depressão. Possui  aproximadamente 3.100 km e tem afluentes de pequena extensão e boa parte deles são temporários. Sua nascente é na serra da  Canastra (Minas Gerais) e deságua no  Atlântico, na  divisa  entre  Alagoas e  Sergipe. Drena  terras de um longo  trecho do  sertão nordestino. Possui trechos  navegáveis, no seu curso médio, e planálticos na nascente e na foz, propiciando  na produção de energia hidráulica. Abastece as regiões Sudeste (usina de Três Marias - Minas Gerais)  e  o  Nordeste  com as usinas de Sobradinho (PE/BA), Paulo Afonso (AL/BA),  Xingó(AL/Se), Itaparica (PE/BA) e Moxotó (AL/BA).
             O impacto ambiental  é  provocado  por  ações  humanas  como: a  destruição  da  mata ciliar cabeceira, a  poluição  por defensivos agrícolas, o garimpo, o uso  excessivo  da água  para a irrigação e a erosão das  suas  margens, afetando  a  atividade  pesqueira e  a vida  da população ribeirinha. Atualmente, há  obras de  transposição do rio São Francisco para os estados de Ce, PB e PE.
              O bioma dessa bacia: fragmentos do Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica, ecossistemas costeiros e insulares.Seus principais rios são: São Francisco, Grande, Carinhanha, Rio das Velhas, Corrente,Verde Grande.
  • A bacia Platina: reúne as bacias dos rios Paraná, Paraguai e Uruguai, que nascem em terras brasileiras e drenam, também, os países platinos (Paraguai, Uruguai e Argentina). Todos os cursos d'água se juntam no estuário da Prata (fronteira da Argentina e Uruguai) e deságuam no oceano Atlântico. É a segunda bacia em área da América do Sul.
  • A bacia do Paraná: é essencialmente planáltica, ocupando o primeiro lugar em produção hidrelétrica do país. No rio Paraná estão situadas as usinas de Ilha Solteira e Jupiá (complexo de Urubupungá), Engenheiro Sérgio Motta (Porto Primavera) e Itaipu (usina binacional brasileira e paraguaia). O bioma é a Mata Atlântica e Cerrado em avançado estágio de fragmentação. Ocupa 10,3% do território nacional,com 32% da população do país. Seus principais rios são: Paraná, Grande, Verde, Paranapanema, Iguaçu, Tietê. Chove em média 1.511 mm por ano.          
  • A bacia do Paraguai: é de planície e sua maior  extensão no  Brasil está  situada no  Complexo do  Pantanal. Destaca-se pelo seu aproveitamento como hidrovia interligada  a outras bacias (especialmente à do Paraná) através dos rios Pardo  e Coxim. O  rio  Paraguai  banha  terras  do  Brasil,  Bolívia,   Paraguai e   Argentina,  favorecendo  à  navegação  internacional. O  porto  de  Corumbá  MS)  é  muito  importante para  a  região. O  bioma  é o  Cerrado e  Pantanal  (predominantes). Ocupa 4% do território nacional, onde vive 1% da população do país. Seus  principais rios são: Paraguai,  Correntes, Taquari, São Lourenço, Sepotuba. Chove em média 1.398 mm por ano.
  • A bacia do Uruguai: Com  grande  trecho  planáltico. O  rio  Uruguai, que nasce da  confluência dos  rios Canoas  e Pelotas, é utilizado como limite em boa parte da divisa entre os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, bem como em parte do trecho da fronteira entre o Brasil e a  Argentina e em toda a fronteira entre a Argentina e Uruguai.  Seu bioma é o Pampa  e  Mata Atlântica. Essa  bacia  ocupa  2%  do  território  nacional. Seus  principais  rios  são:  Uruguai, Quarai, Ljuí, Ibicuí, Negro. Chove em média, 1.784 mm por ano.
       As bacias secundárias apresentam rios de pequena extensão, geralmente com poucos afluentes, conforme relação abaixo:
  • Bacias do Leste: destacam-se os rios Jequitinhonha, que corta uma região extremamente pobre do nordeste de Minas Gerais;  Doce, que abrange tradicional área de  mineração  neste estado; e  Paraíba do Sul, que atravessa  importante região industrial do Brasil e de grande  concentração  urbana (São Paulo e  Rio de Janeiro). O  bioma é  composto  por fragmentos de Mata Atlântica, Caatinga, zonas costeiras e insulares. Ocupa 4,4% do território  nacional. Seus principais rios são:Contas, Itapicuru, Jequitinhonha, Mucuri, Pardo, Paraguaçu, Vaza-Barris. Chove, em  média, de 1.053 mm  por  ano.
  • Bacias do Nordeste:  A  maior  parte  dos  rios situa-se  no  sertão e são temporários (intermitentes), como o Jaguaribe (Ceará),  considerado  o  maior rio  temporário do  mundo. O Bioma  é a Caatinga  (predominante)  com  fragmentos de Cerrado, Mata Atlântica e  ecossistemas costeiros.Ocupa 3,4% do território nacional. Seus principais rios são:  Acaraú, Capibaribe, Curimataú, Jaguaribe, Mundaú, Paraiba, Piranhas-Açu, Uma. chove, em média,  1.132mm  por ano.
Bacias do  Sudeste-Sul: são importantes rios dessa bacia o Ribeira do Iguape (São  Paulo, próximo à  fronteira do Paraná), região mais pobre do estado;  o IItajaí (principal região industrial de Santa  Catarina) e o Tubarão  (região carbonífera e industrial, também situada em Santa Catarina).  No Rio Grande  do Sul, destacam-se  os rios  Guaíba (Porto Alegre) e Jacuí, além das lagoas dos Patos, Mirim e Mangueira. O bioma é a Mata Atlântica (remanescente e predominante). Seus principais rios são: Doce, Paraíba do Sul, Ribeira do Iguape, São Mateus, Camaquã, Capivari, Itajaí, Jacuí/Guaíba. Chove, em  média, 1.573 mm por ano.